O tempo parecia passar em câmera lenta desde que Débora desaparecera. Cada dia era uma luta contra a escuridão que ameaçava consumir meu coração e minha alma. Padre Antônio e eu trabalhávamos incansavelmente, mas nada parecia dar certo. A cada passo que dávamos para tentar encontrar Débora, algo nos impedia de avançar.
O mundo ao nosso redor parecia desmoronar. As sombras se tornaram mais audaciosas, invadindo nossos espaços e nossos pensamentos. A esperança que antes nos guiava agora estava ofuscada pelo desespero. Tudo parecia perdido.
Numa tarde chuvosa, enquanto estava sentado na igreja, segurando o antigo livro que desencadeara toda essa loucura, senti o peso da saudade de Débora esmagar meu peito. As lembranças de nossos momentos juntos me assombravam, e a dor de sua ausência era insuportável.
— Padre Antônio, não sei quanto mais posso aguentar. — Disse, minha voz tremendo. — Sinto que estou falhando com Débora. Ela está lá fora, em algum lugar, e eu não consigo encontrá-la.
Padre Antônio colocou uma mão reconfortante em meu ombro.
— Douglas, a jornada é árdua, mas você é mais forte do que imagina. Débora está esperando por você, e sei que encontrará uma maneira de trazê-la de volta.
Olhei para o livro em minhas mãos, sentindo a frustração crescer. As páginas estavam cheias de símbolos e palavras que não compreendíamos completamente. Havia tantas perguntas sem respostas.
Naquela noite, depois de mais uma tentativa frustrada de decifrar o livro, caminhei até o deck na praia onde Débora e eu nos beijamos pela primeira vez. A lua cheia iluminava o mar, e o som das ondas quebrando na areia trazia um eco distante de nossa felicidade.
— Débora... — Murmurei, olhando para o horizonte. — Onde você está?
Fechei os olhos e, em um instante, fui transportado de volta ao momento em que tudo deu errado. As sombras haviam nos cercado, e eu tentava desesperadamente segurar Débora.
— Presta atenção, olha pra mim! Eu te amo! — Falei, minha voz cheia de calma e amor, tentando naquele turbilhão de sentimentos… acalma-la.
Seus olhos castanhos, que antes eram cheios de vida e calor, estavam opacos e distantes. Mas, por um breve momento, vi um lampejo de reconhecimento.
— Obrigado por ser você! Te amo! — Disse, minhas palavras carregadas de emoção e gratidão.
Então, as sombras a levaram, e o vazio tomou seu lugar. A lembrança daquele momento me atormentava, mas também me dava força. Eu não desistiria. Encontraria Débora, não importava o que custasse.
Voltei para a igreja, determinado a continuar minha busca. Não tinha todas as respostas, mas sabia que o amor que sentia por Débora me guiaria.
No altar, ajoelhei-me e orei.
— Senhor, sei que o caminho é difícil e cheio de incertezas, mas peço sua orientação. Ajude-me a encontrar Débora e a trazê-la de volta para onde ela pertence.
Padre Antônio entrou na igreja e se juntou a mim em oração.
— Juntos, Douglas. Vamos encontrá-la juntos.
Sentia uma nova força nascer dentro de mim. A jornada seria longa, e os desafios, enormes. Mas o amor que sentia por Débora e a saudade de nossas conversas me motivavam a seguir em frente.
— Débora, eu nunca desistirei de você. — Sussurrei para o vazio. — E um dia, nós estaremos juntos novamente, e nada nos separará.
Com essa promessa gravada no coração, tive a certeza que um dia nós voltaríamos a nos encontrar. A escuridão ao nosso redor não era páreo para a luz que brilhava dentro dela, mesmo que ela achasse que essa luz não existisse mais, eu sempre vi essa luz, e é impossível de se apagar!
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