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sexta-feira, 5 de julho de 2024

Capítulo 4 - Desconhecido muito conhecido

 A lista de coisas que me traziam alegria e satisfação tornou-se meu guia nas semanas seguintes. Comecei a dedicar mais tempo à fotografia, redescobrindo a paixão que sentia por capturar momentos e expressar emoções através das lentes. O violão, que estava esquecido em um canto do meu quarto, foi afinado e, mesmo com dedos desajeitados, comecei a tocar acordes simples, sentindo uma paz indescritível a cada nota.

Uma noite, enquanto revisava algumas fotos em meu computador, senti um calafrio percorrer minha espinha. Olhei em volta, mas não vi nada fora do comum. No entanto, a sensação de estar sendo observado era inegável. Tentei ignorar e voltar ao trabalho, mas a sensação persistia, tornando-se quase sufocante.

Decidi que precisava de um pouco de ar fresco. Peguei meu casaco e saí para caminhar pelo bairro. As ruas estavam tranquilas, e a chuva que caíra mais cedo deixara o ar fresco e limpo. Andei sem rumo, deixando meus pensamentos vagarem.

Ao passar por um parque, vi um homem sentado em um banco, com um violão nos braços. Ele tocava uma melodia suave, que parecia se misturar com o som do vento. Algo na cena me atraiu, e, sem pensar muito, me aproximei.

— Boa noite. — Disse, tentando não parecer intrusivo.

O homem levantou os olhos e sorriu. Seu rosto era amigável, mas seus olhos tinham uma profundidade que me deixou intrigado.

— Boa noite. — Ele respondeu. — Quer se sentar?

Aceitei o convite e sentei-me ao seu lado. Por um momento, ficamos em silêncio, apenas ouvindo a música.

— Você toca muito bem. — Comentei, tentando iniciar uma conversa.

— Obrigado. A música tem um jeito de conectar as pessoas, não é? — Ele respondeu, continuando a dedilhar as cordas.

Assenti, sentindo uma estranha sensação de familiaridade com aquele estranho.

— Eu sou o Gabriel, a propósito. — Disse ele, estendendo a mão.

— Prazer, sou o Douglas. — Respondi, apertando sua mão.

Conversamos por um tempo sobre música, fotografia e a vida em geral. Gabriel tinha uma serenidade que era contagiante, e eu me sentia mais relaxado na sua presença.

— Às vezes, as respostas que procuramos estão mais próximas do que imaginamos. — Disse Gabriel, olhando para mim com um olhar intenso.

— Como assim? — Perguntei, sentindo que ele sabia mais do que estava revelando.

— Apenas lembre-se de que você não está sozinho nessa jornada. — Ele disse, enigmático. — E que, quando as coisas parecerem difíceis, há sempre uma luz que pode guiar seu caminho.

Aquelas palavras ficaram gravadas na minha mente enquanto nos despedíamos. A caminhada de volta para casa foi tranquila, e, pela primeira vez em dias, senti uma sensação de paz.

Mas, ao chegar em casa, a sensação de ser observado voltou com força total. Decidi que precisava entender o que estava acontecendo. Não podia ignorar mais esses sinais estranhos. Algo estava tentando se comunicar comigo, e eu precisava descobrir o que era.

Com a determinação renovada, peguei meu caderno e comecei a anotar todos os incidentes estranhos que aconteceram nas últimas semanas. Precisava de um plano, e a primeira coisa que faria seria pesquisar sobre esses fenômenos. Estava claro que minha jornada seria mais complicada do que imaginava, mas estava pronto para enfrentar o desconhecido, armado com minha curiosidade e uma nova sensação de propósito.

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